Fulvio Pennacchi nasceu em 1905 na Toscana, Itália. Estudou em Florença, Pisa e Lucca, graduando-se em 1928, em Pintura Mural pela Academia Real de Belas Artes daquela cidade. Transferiu-se para o Brasil chegando em 1929. Fixou residência em São Paulo e aqui faleceu em 1992, completando 63 anos consecutivos de trabalho artístico.
seu tempo, seu percurso
05 - 29
itália
1905-1929
“Durante os primeiros decênios dos anos 1900, Pennacchi havia assimilado os princípios e ensinamentos do “Retorno a Ordem”, prevalentemente classicista e fortemente marcado pelo estudo rigoroso do desenho e da composição, presente entre os Primitivos Italianos. Além disso, em 1928 laureava-se na Accademia Real de Pintura de Lucca.”
paisagem garfagnina, 1929
auto retrato, 1928
documento de identidade, 1929
1905-1929
Fora do ambiente acadêmico, Pennacchi reproduzia paisagens da sua terra natal, servindo-se de uma linguagem naturalista e antiacadêmica, simplesmente observando a natureza “en plein air” com sua luz e cor, tal como fizeram os pintores da “Escola de Barbizon e Fontainebleau” no final do século XIX. A experiência será repetida, anos mais tarde, com seus colegas-pintores do “Grupo do Santa Helena”, nos arredores de São Paulo. São desse período as primeiras pinturas murais “a tempera”, executadas nas residências de Pennacchi Valerio e Giannotti Aladino, na Itália.
Na Itália, desiludidos e perseguidos pelo “fascismo lucchese”, Fulvio Pennacchi e alguns parentes decidem emigrar para o Brasil onde já viviam seus dois irmãos e outros parentes, já bem estabelecidos fazendeiros de café no Sul de Minas.
30
anos
30
“Pennacchi, aqui chegado em meio à crise, improvisou-se em proprietário de açougues, cartazista, projetista de escultura tumulares, e finalmente, como professor de desenho no Colégio Dante Alighieri.”
carnaval
o descanso, 1934
vida de são franscisco, 1936
30
Década muito laboriosa, com ativa participação em Salões e Exposições, de premiações e muitos acontecimentos sociais; porém, de parcos resultados financeiros. Num meio de poucos interessados e de raros colecionadores e sem museus atuantes, era muito difícil que os artistas modernos pudessem se sustentar através de seu trabalho. Consequentemente, os espaços de exposições eram precários e improvisados. A “Crise do Café” fez-se sentir em toda a década - débâcle financeira iniciada em 1929, e as revoluções de 1930, 1932, 1935 e 1937-1945, davam ao país uma atmosfera de desassossego e instabilidade econômico-financeira e política.
40
anos
40
“Pennacchi situa-se entre os artistas que conciliam fontes da pintura maior de outrora, notadamente baseada nos primitivos italianos – Cimabue, Giotto, Masaccio – e controladas infusões da plasticidade moderna que assumia uma posição modernista moderada usando maior liberdade e espontaneidade na execução de seus trabalhos.”
igreja n. senhora da paz, 1941-1942
rebolo, pennacchi, bonadei, 1943
clóvis graciano, 1940
40
Esta década, dando continuidade aos esforços anteriores e por força de suas múltiplas realizações, e do continuo e perfeccionista trabalho de exímio muralista, nos mostra um artista já consolidado e fiel aos princípios de seu aprendizado (e.g.: Paris Pós-impressionista, Retorno a Ordem, Novecento, etc.). Pennacchi prossegue no encalço de projetos aparentemente tantalizadores; tais como, o projeto e execução de afrescos na “A Gazeta”, afrescos na “residência Filizola”, projeto e execução da “Capela da fazenda Prada”, e o monumental conjunto do altar-mor da “Igreja de N.S. da Paz, “suas duas residências” e o “Hotel Toriba”. Concordamos com a maioria dos críticos que Pennacchi atingiu o ápice de maturação individual nesta década!
50
anos
50
“Apesar do avanço da arte Abstrata em São Paulo e no Rio de Janeiro, tenaz e obstinado Pennacchi continuou seu caminho. Produziu durante o período afrescos e painéis de grandes dimensões; alguns religiosos e muitos outros profanos.”
retrato de Filomena, 1958
Vila toscana, 1952
Anunciação, 1952
50
A “Pequena Medalha de Ouro” do Salão Oficial de Arte Moderna de São Paulo” em 1952, certamente serviu de estímulo para as esculturas em “terracota”, “grés” e outras com “acabamento policromático”, conhecidas como “cerâmicas”. Com singular destreza saíram das mãos do artista, imagens, presépios, santos, anjos, adereços (broches, pulseiras e colares), jarros, cinzeiros, composições figurativas além de toda a sorte de alfaias. Azulejos e faianças brancas foram povoadas pelas pinturas de figuras pennacchianas impregnando o ambiente de eufórico prazer.
60
anos
60
“Os primeiros sinais da doença – a fadiga – que se abateria sobre Pennacchi nos anos seguintes, aparecem. Ainda assim consegue produzir obras para uma grande exposição individual, na Casa do Artista Plástico, que é recebida com grande sucesso de público e crítica.”
painel ciclo do café 1 (tríptico), 1961
painel ciclo do café 2
painel ciclo do café 3
60
A exposição de obras na Casa do Artista Plástico transforma Pennacchi, que se havia transformado num “pintor de colecionadores” e que não se apresentava em público há muito tempo, em um grande sucesso de público e crítica. Suas recentes pinturas e; pela primeira e única vez em vida, suas esculturas, são avaliadas pela criteriosa revisão de valores e dá conta ao colecionador e ao público do que fez Pennacchi durante todo esse tempo em que referveu a bambochada referente da arte mínima, monocromática e conceitual.
70
anos
70
“O convite de PM Bardi para uma Retrospectiva no
MASP-SP (1973) colheu Pennacchi de surpresa. A mostra teve sucesso absoluto! Afinal quem era esse Pennacchi que conhecíamos somente pela fama?”
são francisco e os animais, 1977
estudo folclórico, 1979
pennacchi junto a uma "familia caipira”, 1973
70
Da década em questão, a Retrospectiva foi o mais importante acontecimento na vida artística de Pennacchi, pois continha muita pesquisa original que denunciava as desinformações oriundas das abordagens precárias a respeito de sua obra até então, incluindo-se os 1940. À Retrospectiva sucederam-se tal número de exposições e comemorações que a mídia considerou o ano de 1973 como “o ano Pennacchi”. A partir de 1973 até seu falecimento, em 1992; portanto em 19 anos, Pennacchi participou de mais eventos, exposições individuais e coletivas, homenagens e recebeu mais honrarias que em todos os 45 anos precedentes.
80
anos
80
“A década de 1980 e os anos subsequentes são também caracterizados pela participação de Pennacchi em inúmeras exposições individuais e coletivas juntamente com o ciclo de comemorações do cinqüentenário de sua chegada ao Brasil (1929-1979).”
(provável década de 80)
1985
1986
80
O artista toscano por força de sua grande pintura, de seus desenhos sutilíssimos, esculturas inventivas, e “fresquista” único, conquista seu lugar no cenário das artes em nosso país. Percebe-se domínio amplo e absoluto do desenho e perfeita harmonização das cores. Em 1989 realiza sua última exposição individual em vida, concomitante com o lançamento de um terceiro livro – “Ofício de Pennacchi”, de VA Pennacchi-Pennacchi. Mestre do desenho simples e definido, cores claras e alegres criteriosamente balanceadas por um “pintor sabidíssimo” que assim compõe seus temas populares e ingênuos. Vem a falecer em 1992.